O Refluxo Gastroesofágico (RGE) é um processo fisiológico normal que ocorre em bebês saudáveis, crianças e adultos. Ele representa uma das queixas mais frequentes em consultórios de Pediatria e Gastroenterologia Pediátrica, e a maioria dos episódios é rápida e não causa sintomas, lesões esofágicas ou outras complicações.
O refluxo é definido como a passagem do conteúdo gástrico, através do esfíncter esofágico inferior (EEI), para o esôfago, com ou sem regurgitação e/ ou vômito.
O refluxo fisiológico é extremamente comum em crianças saudáveis, em que o conteúdo gástrico pode refluir para o esôfago 30 ou mais vezes por dia. Muitos, mas não todos episódios de refluxo podem resultar em regurgitação para a cavidade oral. A frequência de refluxo, assim como a proporção dos episódios de refluxo que resultam em regurgitação, diminui com o aumento da idade, de tal modo que a regurgitação fisiológica ou vômitos diminuem no final do primeiro ano de vida.
O refluxo do lactente torna-se sintomático nos primeiros meses de vida com um pico por volta dos quatro meses, resolvendo-se, na maioria dos casos, por volta de 12 meses. Nos demais, por volta de 24 meses.
Nos lactentes, o refluxo é comum e, na maioria dos casos, não é patológico. Poucas crianças com refluxo fisiológico desenvolvem outros sintomas sugestivos da doença do refluxo gastroesofágico, incluindo sinais de esofagite (irritabilidade, recusa alimentar, arqueamento, sufocamento e engasgos), hematêmese, anemia, sintomas respiratórios e déficit de crescimento. As apresentações respiratórias podem manifestar-se como apneia obstrutiva, estridor ou doenças das vias aéreas inferiores.
O diagnóstico é feito através da história clínica e exame físico completo. Geralmente a criança apresenta um bom desenvolvimento com bom ganho de peso.
Como o diagnóstico é feito basicamente através da história clínica e do exame físico, não há necessidade de exames complementares.
Portanto, o tratamento com medicamento não é necessário.
Segue as orientações para o tratamento:
medidas posturais: elevar a cabeceira da cama e manter a criança ereta após alimentação;
medidas dietéticas: manter aleitamento materno exclusivo. Se o bebê toma fórmula, fracionar as mamadeiras e, em alguns casos, utilizar fórmulas espessadas. As mamadeiras devem ser administradas com a criança em posição semi elevada e, após a alimentação, esperar pelo menos quarenta minutos para deitar;
em crianças maiores, deve-se evitar: refrigerante, chocolate, achocolatado, café, fritura, embutidos, molhos de tomate e biscoitos recheados.
Às dúvidas devem ser esclarecidas na consulta com o seu pediatra ou procure um especialista na área de Gastroenterologia Pediátrica.
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Dr. Mateus Andrade
Pediatra, Gastroenterologia Infantil – CRM 116585
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